Corpo-cativeiro | Palavras

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Um dia não estarei mais aqui, dentro deste corpo, mas estarei em tudo que toquei, estarei nas águas do negro rio que levará minhas cinzas, estarei  no eco da voz que todos os dias me falava: Vai! Ainda não acabou.

Vida é morte em poesia… poesia lida, cheirada, alisada por mãos grandes de dedos tortos, desconfigurados por tudo que não é beleza, que não é graça, que não foi leveza.

Já o corpo… o corpo é um relato vivo, é a prova que pulsa, que entrega tudo que se viveu, e como se morreu… um cativeiro de onde ninguém sai vivo de onde não se vive sem morrer no final.

Um corpo com vida é uma clausura, a prisão que nos condena a despertar todos os dias, e,  com amor ou dor, nos obriga a abrir os olhos e existir… existir com a única certeza de que a morte é o grande e inevitável encontro no fim dessa encenação terrena.

Se corpo com vida é cativeiro, o que seria do corpo sem ela? Libertação? Retorno? Vida em morte? Ou apenas os escombros de seu cativeiro com 21 gramas a menos?

Por sorte as necrópsias se limitam ao corpo, imagine o que seria se devassassem a alma…

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